Parado ante o imenso mar, contemplo
as ondas que, incessantes, vêm e vão,
as horas não sabendo, dia e noite,
fiéis ao seu ofício natural.
Medito dessa água o movimento –
sinal de Deus e da eternidade.
Invejo-a na sua persistência,
Fiel àquilo à qual foi destinada.
Quisera a vontade ter do mar,
eternamente firme e criadora,
fiel ao meu destino de poeta.
Porém, mais a um lago me pareço,
de águas paradas, fétidas, sem vida,
fiel à estagnação que me domina.
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