DOIS AMORES







A mais de vinte anos dividido,
apaixonado, está meu coração,
entre a mãe, senhora idosa e memorável,
e sua filha, entre todas a mais ditosa.

Com esta, tão bela e tão dúbia,
vivo e encanta-me a beleza
natural, perfeita dádiva divina
cuja moral, porém, afeta-me a estima.

A mãe, com tantas histórias veneráveis
e as marcas do passado tão presentes
a assinalar-lhe cada parte de seu corpo,
meu espírito poético cativa.

Vivo dia-a-dia com a filha
e a mãe aconchegou-me em seus braços poucas vezes,
mas sonho estar com ela para sempre
sem, no entanto, a filha deixar de amar.

Minha pátria brasileira, maculada,
sois a filha da mãe-pátria lusitana,
linda mãe, que nas veredas da história,
perpetua a alma livre que há em ti.

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